segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Dia do Idoso

Hoje, 27 de setembro: DIA DO IDOSO!

Parabéns a todos que estão na melhor idade! 

Desejamos muita saúde e arte!

Temos um Projeto especial para você: RECEITAS DA VIDA, entre em contato e fique por dentro.

 

 

OC fecha parceria com o ICB

A Oficina da Comunicação (OC) fechou mais uma parceria, agora com o Iate Clube Brasileiro (ICB), em Niterói. Vamos atravessar a ponte Rio-Niterói para levar a Arteterapia a um grupo de mulheres que procuram qualidade de vida, querem trabalhar o autoconhecimento e a autoestima.

A partir desta semana estaremos oferecendo o Encontro Criativo entre Mulheres, às quintas-feiras de noite. Se você é sócia do ICB aproveite mais esta vantagem! Se você mora em Niterói entre em contato e faça sua inscrição.

Agradecemos a Diretoria do ICB, principalmente a Diretoria Feminina, pela oportunidade de mais esta conquista. 

domingo, 19 de setembro de 2010

Arteterapia com crianças


            A Arteterapia com crianças tem um campo abrangente para ser explorado. Gostaríamos de contar um pouquinho do nosso estágio com este público. Escolhemos trabalhar com crianças, pois sabemos da importância de ajudar na construção desta fase.
A Escola que realizamos o estágio é uma obra social da Organização Sri Sathya Sai, em Vila Isabel (RJ), onde diretoria e as professoras indicaram um grupo de oito crianças com dificuldade de aprendizado, desatenção e comportamento violento, moradoras de comunidades carentes, dominadas pela violência do tráfico de drogas.
Tivemos um grande aliado neste processo de estágio dentro de um ambiente escolar. Conseguimos realizar nossas sessões na sala de Multimídia, no segundo andar da escola (casa), que nos oferecia um espaço com mais ou menos 30 m2, era perfeito para a realização da Arteterapia.
A sala era de piso branco e frio, que contribuía para o destaque das cores, formas e materiais que usávamos e era fácil de limpar. Tinha disponível um aparelho de som com entrada para CD, um aparelho de DVD e uma televisão. Para completar o ambiente ainda tinha estantes com diversos livros infantis, alguns brinquedos e jogos, um teatro de marionetes, cavalete com bloco de papel, além de almofadas coloridas, duas mesas pequenas e cadeiras que as crianças levavam da sala de aula sempre que iríamos usar.
            Utilizamos as primeiras sessões para proporcionar experiências com diversos materiais e técnicas, não estabelecendo temas, apenas deixando que o grupo nos apresentasse suas imagens. Durante esse primeiro ciclo vimos muitas casas, e outras estruturas de proteção como barcos, por exemplo, emergirem nas folhas de papel que dispúnhamos. Não importava a técnica ou material utilizado, sempre apareciam muitas figuras como essas. Nas primeiras sessões também utilizávamos muitos recursos para mantê-los interessados como brincadeiras, histórias e músicas. No princípio era necessário vencê-los pelo cansaço.
            É preciso ter “boa forma” para poder brincar, pular, dançar, jogar, rolar, deitar, sentar no chão e muito mais, para trabalhar com este universo infantil. Para as sessões de Arteterapia com crianças é preciso ter várias atividades em mente, pois dependendo do grupo ou cliente, o espaço entre elas pode ser maior ou menor. As crianças mais novas não ficam muito tempo fazendo a mesma atividade.
            E apesar das crianças do grupo de estágio terem idade entre seis e oito anos, ou seja, de fisiologicamente estarem em uma idade em que já conseguem focar melhor a atenção nas atividades, psicologicamente eles pareciam ainda estar em estágios de desenvolvimento de crianças de dois anos de idade. Para isso, lançamos mão de atividades sensório-motoras como aquecimento a fim de que eles pudessem saciar a necessidade de movimento e sensação.    
            Com o tempo as crianças foram se soltando, se expressando cada vez mais, com mais conteúdo interno, desabafando os seus momentos vividos, situações e sentimentos que estavam guardados ou adormecidos dentro de seus corações. As crianças conseguem mergulhar na proposta da Arteterapia sem preconceitos, se envolvem mais facilmente, a resistência de se expressar com a arte sem se importar com a beleza ou estética é menor. Às vezes um reclama que não quer fazer, mas depois que vê o grupo trabalhando acaba se entregando.
            No entanto, a maioria das crianças do grupo reclamava que não sabia, ou não conseguia fazer as atividades artísticas. Diziam que seus trabalhos eram feios e quando a criança ao lado se entregava à criatividade e se expressava, eles copiavam sua imagem. Observando essa situação, chegamos à conclusão de que se tratava de crianças com a autoestima extremamente baixa e autocrítica elevada.  
            Acreditamos que em terapia com crianças é preciso passar para o grupo que o espaço é seguro e acolhedor, que eles podem confiar em nós. Foi o que tentamos fazer ao longo de todo o processo. Muitas vezes escutamos e vimos coisas que normalmente repreenderíamos como danças sensuais, músicas de apologia ao tráfico, e confissões, mas o setting terapêutico é o lugar onde se pode ser quem é, e é sempre válido quando conseguimos. Orientar sem criticar, sem dúvida, foi nosso grande desafio, frente ao que nos foi apresentado.  
            Durante todo o estágio apresentamos um leque de materiais e técnicas para eles desfrutarem e aproveitarem o tempo que estivemos juntos no setting terapêutico. Alguns materiais eles nem conheciam ou nunca haviam utilizado. Apresentamos histórias em livros, filmes, áudio e narrada da forma mais tradicional, ou com fantoches e objetos.
Apresentamos músicas do universo infantil como as do grupo Palavra Cantada, da Bia Bedran, do Milton Catete, Toquinho e Vinícius de Morais, Adriana Calcanhoto, Cantigas de Roda, MPBaby,         Cantigas de roda, dentre outras. Conseguimos no último minuto do segundo tempo levá-los ao teatro. E acreditamos que isso lhes abriu um novo olhar sobre o mundo e conseqüentemente sobre eles mesmos.
            Foi uma experiência marcante em nossas vidas e acreditamos que na vida de cada um que desfrutou desta oportunidade também. Esperamos que as escolas e os pais olhem para suas crianças com “olhos de ver e ouvido de ouvir” para perceber as demandas desta fase importantíssima da vida. Agradecemos a esta Instituição e aos seus profissionais, que nos acolheram e valorizaram o trabalho de Arteterapia.
  
"O coração é a fonte da verdadeira educação"
Sai Baba

Texto do Relatório de Estágio, por: Barbara Rodrigues e Raquel Souto.
Orientadora: Ângela Philippini.
Curso de Formação Clínica em Arteterapia pela POMAR - Proposta de Orientação Multidimensional Arte Realidade.
 

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

ENCONTRO DAS ESTAÇÕES

ENCONTRO DAS ESTAÇÕES


A primavera está chegando
aproveite para plantar, regar, amar, colher...



Participe deste encontro de Arteterapia em grupo e deixe florescer o que há de melhor em vc!


Dia: 22 de setembro, quarta-feira
Local: Tijuca/ RJ 
Informações: (21) 3066-1743 / 8896-5871/ 8766-1668 
E-mail: contato@octerapia.com
Inscrições antecipadas, vagas limitadas.

 

sábado, 11 de setembro de 2010

Nise da Silveira - Mulher que ensinou a “emoção de lidar”


A raiz da Psicologia Analítica no Brasil

Esta mulher com olhar calmo, aparentemente frágil, fez uma revolução na psiquiatria, Nise da Silveira se recusava a usar métodos convencionais, como eletrochoques e psicotrópicos, e introduziu a arte como facilitadora no tratamento psiquiátrico no Rio de Janeiro.
Nascida em 1905, na cidade de Maceió – Alagoas, Nise da Silveira entrou para Faculdade de Medicina da Bahia, onde era a única mulher da turma com 157 homens, formando-se com especialização em Neurologia, em 1926. Um ano depois foi morar no Rio de Janeiro, onde teve oportunidade de participar de rodas literárias, eventos políticos e conhecer artistas e intelectuais.
E assim seguiu o caminho da psiquiatria. Primeiramente recorreu à psicanálise de Freud e, posteriormente, à psicologia analítica de Jung. Acreditava na importância das imagens e dos símbolos nos trabalhos com o inconsciente e apostava no poder da expressão como terapia autocurativa.
No Rio, conseguiu bons estágios até passar no concurso da Psiquiatria do Hospital da Praia Vermelha. Porém, de 1936 a 1944, a Ditadura de Vargas interrompeu sua carreira. Após denúncia com a acusação de que seria comunista, foi presa. Quando retornou, foi trabalhar no Centro Psiquiátrico Pedro II, que hoje é o Instituto Municipal Nise da Silveira, no Engenho de Dentro.
Em 1946, fundou a Seção Terapêutica Ocupacional com ateliês de pintura e de modelagem. Assim, plantou a semente da Arteterapia no Brasil. Porém, Nise da Silveira preferia usar o termo “Emoção de Lidar”, retirado do verso de um poema do seu cliente, Sr. Luiz Carlos. Em seu livro “O Mundo das Imagens” (Silveira, 1982) que relata o trabalho do atelier do Centro Psiquiátrico Pedro II, a autora explica:
“A comunicação com o esquizofrênico, nos casos graves, terá um mínimo de probabilidades de êxito se for iniciada no nível do verbal de nossas ordinárias relações interpessoais. Isso só ocorrerá quando o processo de cura se achar bastante adiantado. Será preciso partir do nível do não-verbal... oferecendo atividades que permitam a expressão de vivências não verbalizáveis por aquele que se acha mergulhado na profundeza do inconsciente, isto é, no mundo arcaico de pensamentos, emoções e impulsos fora do alcance das elaborações da razão e da palavra”.
Nise temia a nomenclatura de Arte na modalidade terapêutica, pois para ela as produções não devem ter valor artístico, não devem seguir padrões estéticos. Assim como reafirmava Jung (apud Christo e Silva, 2005):
“Ainda que ocasionalmente os meus pacientes produzam obras de grande beleza... Não é arte e, aliás, nem deve sê-lo. É bem mais do que isso; é algo bem diverso do que simplesmente arte; trata-se da eficácia da vida sobre o próprio paciente”.
Em 1947, com o apoio do Ministério da Educação e Cultura, a médica organizou a primeira exposição dos trabalhos desenvolvidos nos ateliês. Críticos de arte e terapeutas passaram a debater a cerca da importância do trabalho da Doutora, pois as imagens plasmadas rompiam com dogmas estabelecidos tanto no ramo da arte, quanto no campo psiquiátrico.
Dois anos depois curadores do Museu de Arte Moderna de São Paulo elaboraram a exposição “9 Artistas de Engenho de Dentro”. No catálogo da exposição, Nise da Silveira utilizou três noções psicanalíticas: “sonho como meio de realização de desejos”, “sublimação” e “estranheza inquietante”. Além de explicações baseadas na teoria de Jung, e o uso das expressões “arquétipo” e “inconsciente coletivo”.
Em maio de 1952, fundou o Museu de Imagens do Inconsciente com as demais produções das seções de Terapia Ocupacional. Em 2004, as principais coleções foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Hoje, o acervo tem cerca de 350 mil obras, já realizou mais de 100 exposições no Brasil e no mundo, divulgando e atraindo grandes públicos.
Em 1954, após ler o livro “Psicologia e alquimia” de Jung, onde na primeira parte consta de uma série de sonhos e impressões visuais de um importante cientista europeu, Nise da Silveira pôde definir um novo método de investigação das imagens pintadas pelos seus clientes: o estudo da série de imagens do inconsciente. Os desenhos em forma circular impressionaram de tal maneira a doutora que resolveu enviar a Jung uma carta acompanhada de fotografias de alguns desses desenhos. A resposta do o médico suíço veio um mês depois, ele ficou muito interessado nas “mandalas” desenhadas pelos esquizofrênicos.
Esta carta tornou-se marco inaugural dos estudos sistemáticos da Psicologia Analítica no Brasil. E mais tarde, em abril 1957 a março de 1958, estudou no Instituto C. G. Jung de Zurique, com bolsa do Conselho Nacional de Pesquisa. Teve a oportunidade de conhecer pessoalmente Jung, foram alguns encontros em Congressos, no gabinete e até na casa do médico. Este contato abriu o caminho para que outros terapeutas brasileiros fossem obter formação no Instituto C. G. Jung. E retornou aos estudos no Instituto em outubro de 1961 a julho de 1962.
O resultado destes estudos foi a formação da “Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica” (SPBA), instituição que se destina a divulgar a psicologia de Jung. Filiada à IAAP – International Association for Analytical Psychology, a SPBA tem sua matriz em São Paulo e uma regional no Rio de Janeiro. 
Mas a Nise da Silveira não parou por aí. Preocupada com o alto-índice de reinternações dos clientes, inaugurou uma clínica de reabilitação psiquiátrica sem fins lucrativos, Casa das Palmeiras, na Tijuca, em 1956. Tendo a liberdade como a principal característica da instituição, a Clínica foi para Botafogo, em 1981, tendo à disposição seis ateliês. Com este trabalho o número de reinternações foi para praticamente zero, lá as portas ficam abertas e os clientes podem entrar e sair quando desejam.
A médica formou grupos de estudos, escreveu artigos, livros, obras audiovisuais, roteiros para a trilogia cinematográfica “Imagens do inconsciente” de Leon Hirszman. Recebeu diversos prêmios, títulos e homenagens.
No dia 30 de outubro de 1999, aos 94 anos, Nise da Silveira faleceu, no Rio de Janeiro. E foi assim que esta mulher ativa trouxe para o Brasil uma nova semente, que continha a compreensão da doença mental, a humanização dos atendimentos aos clientes e a valorização de suas obras artísticas. Salve Nise da Siveira!

Texto elaborado por Barbara Rodrigues para o blog da Oficina da Comunicação.
Barbara Rodrigues é Arteterapeuta e atua na Oficina da Comunicação desde fevereiro de 2008.
  

Fotos:
1 - Nise da Silveira.
2 - Museu do Inconsciente - Engenho de Dentro, RJ.
3 - Nise da Silveira e Carl Jung - Visita ao Museu do Inconsciente, no RJ.


Bibliografia:

ANDRADE, Liomar Quinto. Terapias Expressivas – Arte-Terapia, Arte-Educação e Terapia-Artística. São Paulo, Vetor Editora, 2000.

CHRISTO, E. C. e SILVA, G. M. D. Criatividade em Arteterapia – Pintando & Desenhando. Recortando, Colando & Dobrando. 2ª Edição revista e ampliada. WAK Editora. Rio de Janeiro – 2005.

Revista Ciência & Vida – Psique - Edição Especial: Nise da Silveira. 2008 - Ano III nº 7. Editora: Escala.

Revista Coleção Memória da Psicanálise - Edição Especial: Jung. Edição nº 2. Impressão: Ediouro. Editorial: Duetto.

Revista “Nós da Escola” Dra. Nise e a Emoção de Lidar. Prefeitura do Rio de Janeiro, 2005. Ano 3 – nº 30. p. 46 e 47, jornalista Joanna Miranda.

SILVEIRA, Nise. O Mundo das Imagens. Editora Ática, São Paulo, 1982.


Webgrafia:



segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O que é Arteterapia?

Trabalhos impregnados de conteúdos símbólicos, feitos por mim no decorrer do curso de Formação Clínica em Arteterapia, na POMAR/RJ.


     A Arteterapia surgiu como profissão em 1969 por meio da American Art Therapy Association, porém o uso dos recursos artísticos começou a ser usado com finalidade terapêutica no início do século XIX pelo médico alemão Johann Christian Reil, contemporâneo de Pinel. Este profissional estabeleceu um protocolo terapêutico, com finalidade de cura psiquiátrica onde incluiu o uso de desenhos, sons, textos, para estabelecimento de uma comunicação com conteúdos internos. Carl Gustav Jung também utilizou o recurso da arte aplicado à psicopatologia, que passou a trabalhar com o fazer artístico como forma de atividade criativa e integradora da personalidade. No Brasil, influenciados pelas manifestações anti-manicomiais internacionais, alguns psiquiatras passaram a utilizar, nos hospitais, a arte como atividade ocupacional de seus internos. O principal trabalho com doentes mentais que utilizava a arte como ferramenta, no Brasil, foi o de Nise da Silveira no Hospital do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro.
A nomeação das práticas realizadas no Brasil, como Arteterapia deu-se por volta da década de 60 com a vinda de Hanna Yaxa Kwiatkowska, que ensinava nas universidades como utilizar a arte de forma terapêutica.
Hoje o campo de trabalho com Arteterapia se ampliou, deixando de pertencer somente aos hospitais psiquiátricos, chegando à população como um todo e ganhou status de profissão com a formulação de critérios mínimos que norteiam a formação do arteterapeuta, elaborados pela União Brasileira de Associações de Arteterapia - UBAAT
Ângela Philippini, em seu livro Cartografias da Coragem fala que:
Uma, dentre as inúmeras formas de descrever o que é mesmo Arte Terapia, será considerá-la como um processo terapêutico, que ocorre através da utilização de modalidades expressivas diversas. As atividades artísticas utilizadas configurarão uma produção simbólica, concretizada, em inúmeras possibilidades plásticas, diversas formas, cores, volumes, etc. Esta materialidade permite o confronto e gradualmente a atribuição de significado às informações provenientes de níveis muito profundos da psique, que pouco a pouco serão apreendidas pela consciência.”
Não é preciso ter habilidades artísticas para fazer Arteterapia, pois não é a beleza, ou perfeição técnica que interessa e sim o valor simbólico do que se expressa. Todos, desde crianças bem pequenas até idosos, em pessoas que experienciam doenças, que passaram por processos traumáticos, com dificuldade de aprendizagem, depressão, pânico, baixa autoestima, entre outras coisas, ou mesmo por estarem em busca de si mesmas, se aplica a Arteterapia.

*Texto elaborado por Raquel Souto, para o seu projeto pessoal "O Desenho em Arteterapia - Configurando sonhos, sentimentos e idéias" em abril de 2010.